sexta-feira, 18 de abril de 2008

Monólogo Musical: Explicatio Textus, Praedicatio Sonora

...Outra parceira grande é a música boa; não a música boa em volume ou acordes, ou a musica referida boa na cultura ou na anti-cultura (ou na anti-anti-cultura, e assim vai). Musica boa de verdade. Gosto de ser ouvinte, e várias vezes me surpreendo como uma canção bem executada altera todo um estado emocional. Lutero entendia ser um presente de Deus a possibilidade de unir um som à uma idéia, e tem uma finalidade de enaltecer o texto, dar valor à mensagem que está sendo propagada. Acho que muitas pessoas se prendem em conceitos de musica boa que são na realidade um pseudo-gosto elitista. Não que eu não goste de Chico Buarque, mas muitos se apegam ao renome do artista e ao meio social para dizer que "gosta de Chico Buarque"; em contrapartida, quem só ouve Créu (ou só ouve o que for) não pode opinar sobre ele ser bom ou ruim. Limitar música boa a um estilo é ser ranzinza demais. Inovação, Criatividade, Métrica, Ritmo, tudo isso varia pelas gerações e muda o próprio sentido de Música. A Música tem de ser serva de uma mensagem. Música boa tem um propósito, como assinava Bach: S.D.G. Soli Deo Gloria. É só um ensaio.

"Louvai ao SENHOR com harpa, cantai a ele com o saltério e um instrumento de dez cordas." Sl 33:2

quinta-feira, 17 de abril de 2008

Fábula à grega em dois atos.

Hipocrisia é representar um papel levando em conta as prioridades pessoais.

Personagens: o Gafanhoto Estressado e a Aranha Bem-Intencionada.

Cena um: o Gafanhoto tenta convencer a Aranha de que um colega de trabalho dos dois, o Camaleão, é um hipócrita de carteirinha.
– Esse Camaleão é um fingido, Aranha. Sempre mudando de cor conforme a ocasião.
– Mas essa não seria só a natureza dele, Gafanhoto? Ele não foi criado desse jeito?
– Nada! Antigamente, ele fazia o mesmo que nós, dava duro para levar a vida. Depois, virou esse artista em tempo integral, sempre escondido atrás de disfarces e artimanhas.
– Mas por que ele faria isso?
– Para tirar proveito da situação. Ele fica ali, na moita, com aquela cara inofensiva, mas, na primeira oportunidade, abocanha os descuidados.
– Puxa, é verdade. E eu, que passo horas tecendo a minha teia, no maior capricho…
– E eu, que fico pulando de um lado para outro sem parar? É por isso que vivo estressado. Se me distraio, o Camaleão solta a língua e me pega.
– É mesmo. Se você não me abre os oito olhos, eu nunca teria pensado nisso.
– Porque você é singela e bem-intencionada. Sabe como chama o que o Camaleão está fazendo? Competição desleal no ambiente de trabalho!
– Faz sentido. Você é um sábio, Gafanhoto.
– Obrigado, Aranha. Mas o ponto é que não podemos, nunca, confiar no Camaleão.
– Será que não haveria um jeito de neutralizá-lo? Bom, para nosso benefício mútuo, eu acho que tenho um plano infalível.
– Tem?
– Tenho. Escute…

Intervalo: se os antigos gregos não tivessem inventado as fábulas, a democracia e a filosofia (e, ademais, sacado que a soma do quadrado dos catetos era igual ao quadrado da hipotenusa), ainda assim eles teriam entrado para a história por sua habilidade para criar palavras. Como “hipotenusa”. Ou “hipocrisia”, termo que significa “abaixo da decisão”. Hipócrita, no teatro grego, era a maneira como o povo se referia ao ator que representava sem nunca tomar decisões sobre o texto. E seu talento estava em convencer a platéia de que ele não era ele mesmo, mas sim aquele personagem ali no palco. Milênios se passaram e não surgiu palavra melhor para definir os hipócritas modernos, que continuam tão dissimulados quanto seus ancestrais. A diferença é que os hipócritas evoluíram. Agora, eles criam seus próprios diálogos. Por isso, no palco corporativo, a sobrevivência profissional depende da sensibilidade para identificar os personagens que estão contracenando conosco. O Estressado, que ninguém aprecia muito, pelo menos é sincero ao manifestar seus sentimentos. O que nem sempre é o caso do colega aparentemente bem-intencionado, em quem depositamos toda confiança e para quem abrimos nosso coração.

Cena dois: o Gafanhoto se aproxima para escutar o plano da Aranha. E se enrosca na teia.
Imediatamente, ela o pica e começa a embrulhá-lo para o almoço.
– O que você está fazendo, Aranha? Nós não somos colegas e parceiros?
– Não leve a mal, meu caro Gafanhoto, mas essa é a lei aqui da selva: boa intenção é uma coisa e prioridade pessoal é outra… É só um ensaio...

"Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! porque limpais o exterior do copo e do prato, mas por dentro estão cheios de rapina e de intemperança." Mt. 23-25

terça-feira, 15 de abril de 2008

Ensaio, mas antes um cafezinho

...Um dos meus parceiros da noite é o cafezinho, a noite é sempre mais calma para os aficcionados por leitura e o café mantém a atenção. Mas o café já foi mais que um parceiro: por algum tempo foi almoço, lanche, cafezinho mesmo. pela falta de tempo e disponibilidade, criei uma esofagite de refluxo que raras vezes ainda me incomoda. O café, além de ter me ajudado em muitas provas e noites afins, me ensinou o perigo dos excessos, a Vida me ensinou que amar nunca é um excesso. É só um ensaio.
Se alguém diz: Eu amo a Deus, e odeia a seu irmão, é mentiroso. Pois quem não ama a seu irmão, ao qual viu, como pode amar a Deus, a quem não viu? 1Jo 4:20

Ensaio de um Ponto de Vista

A visão de Cristo que abrigas

É da minha visão a maior inimiga:

A tua tem um grande nariz torto como o teu,

A minha tem um nariz arrebitado como o meu [...]

Ambos lemos a Bíblia noite e dia,

Onde você lê preto, branco eu lia.

WILLIAM BLAKE

Ao procurar Cristo, muitos encontram o próprio nariz; qualquer imagem física, artística ou mental, deixa de mostrar um aspecto do Jesus que era, continua e sempre será Deus. É só um Ensaio.

Porque a lei foi dada por Moisés; a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo. Jo 1:17


Ensaio sobre pequenas diferenças

"Estava eu atravessando uma ponte outro dia quando vi um homem de pé na mureta, preparando-se para pular. Corri até ele e disse: "Pare! Não faça isto!". "Por quê não?", ele disse. Eu disse "Bem, há tanta coisa boa na vida!". Ele disse "O quê, por exemplo?". Eu disse "Bem...você é ateu ou cristão?". Ele disse "Cristão". Eu disse "Eu também! Católico ou protestante?". Ele disse "Protestante". Eu disse "Eu também! Episcopal ou Batista?". Ele disse "Batista". Eu disse "Uau! Eu também! Igreja Batista de Deus ou Igreja Batista do Senhor?". Ele disse "Igreja Batista de Deus". Eu disse "Eu também! Igreja Batista de Deus Original ou Igreja Batista de Deus Reformada?". Ele disse "Igreja Batista de Deus Reformada". Eu disse "Eu também! Igreja Batista de Deus Reformada, reforma de 1879 ou Igreja Batista de Deus Reformada, reforma de 1915?". Ele disse "Igreja Batista de Deus Reformada, reforma de 1915". Eu disse "Morra, herege maldito!" e o empurrei lá de cima". Em um mundo que insiste em enxergar em preto e branco, existe mais valor em uma pequena diferença do que em grandes coisas em comum, como em uma mancha em uma parede recém-pintada, que impede os olhos de verem além da mancha. É só um ensaio.

Suportai-vos uns aos outros, perdoai-vos mutuamente, caso alguém tenha motivo de queixa contra outrem. Assim como o Senhor vos perdoou, assim também perdoai vós; Cl 3,1-17

Ensaio sobre o Frango Resfriado e Abatido

...E Uma galinha achou alguns grãos de trigo e disse a seus vizinhos: “Se plantarmos este trigo, teremos pão para comer. Alguém quer me ajudar a plantá-lo?” “Eu não”, disse a vaca. “Nem eu”, emendou o pato. “Eu muito menos”, completou o bode. “Eu também não”, falou o porco. “Então eu mesma planto”, disse a galinha. E assim o fez. O trigo cresceu alto e amadureceu em grãos dourados. “Quem vai me ajudar a colher o trigo?”, quis saber a galinha. “Eu não”, disse o pato. “Não depois de tantos anos de serviço”, exclamou a vaca. “Não faz parte de minhas funções”, disse o porco. “Eu me arriscaria a perder o seguro-desemprego”, disse o bode. “Então eu mesma colho”, falou a galinha, e colheu o trigo ela mesma. Finalmente, chegou a hora de preparar o pão. “Quem vai me ajudar a assar o pão?” indagou a galinha. “Só se me pagarem hora extra”, falou a vaca. “Eu não posso por em risco meu auxílio-doença”, emendou o pato. “Eu fugi da escola e nunca aprendi a fazer pão”, disse o porco. “Caso só eu ajude, é discriminação”, resmungou o bode. “Então eu mesma faço”, exclamou a pequena galinha. Ela assou cinco pães, e pôs todos numa cesta para que os vizinhos pudessem ver. De repente, todo mundo queria pão, e exigiu um pedaço. Mas a galinha simplesmente disse: “Não! Eu vou comer os cinco pães sozinha”. “Lucros excessivos!”, gritou a vaca. O porco, esse só grunhiu. “Sanguessuga capitalista!”, exclamou o pato. “Eu exijo direitos iguais!”, bradou o bode. Eles pintaram faixas e cartazes dizendo “Injustiça” e marcharam em protesto contra a galinha, gritando obscenidades. INJUSTIÇA! INJUSTIÇA! INJUSTIÇA! INJUSTIÇA! Quando um agente do governo chegou, disse à galinhazinha: “Você não pode ser assim egoísta” “Mas eu ganhei esse pão com meu próprio suor”, defendeu-se a galinha. “Exatamente”, disse o funcionário do governo. “Essa é a beleza da livre empresa. Qualquer um aqui na fazenda pode ganhar o quanto quiser. Mas sob nossas modernas regulamentações governamentais, os trabalhadores mais produtivos têm que dividir o produto de seu trabalho com os que não fazem nada”. E todos viveram felizes para sempre, inclusive a pequena galinha, que sorriu e cacarejou: “eu estou grata”, “eu estou grata”. Mas os vizinhos sempre se perguntavam por que a galinha nunca mais fez um pão.
Texto do Presidente Americano e principalmente ator, como nós: Ronald Reagan. É só um Ensaio.

Que diremos pois? que há injustiça da parte de Deus? De maneira nenhuma. Rm 9:14

Ensaio Perdoado

...E José, foi acusado injustamente como adúltero e mentiroso pela mulher de Potifar. Talvez a maior prova que uma pessoa pode passar é ser traído por alguém próximo. Uma acusação infundada feita por alguém que, enquanto em dificuldades, teve uma mão humilhada e estendida para ajudar, mas precisa de um "bode expiatório" e esfaqueia a mesma mão. Um mundo que enxerga em preto e branco, não admitindo que pessoas têm os mais variados tons de cinza. "Para me ajudar, primeiro dê as costas aos que não estão do meu lado". Abala qualquer pessoa, porque o perdão é a forma mais difícil de relação humana. Enquanto a vingança, por definição, só gera mais vingança, o perdão deve se esquecer e lembrar ao mesmo tempo, na Wikipédia, "é o esquecimento completo e absoluto das ofensas, vem do coração é sincero, generoso e não fere o amor próprio do ofensor. Não impõe condições humilhantes tampouco é motivado por orgulho ou ostentação. O verdadeiro perdão se reconhece pelos atos e não pelas palavras"; quase se deduz ser algo não inerente à natureza humana o ato de perdoar, algo tão "anormal", que Jesus bateu nessa tecla várias vezes. E o mundo continua muitas vezes a ver em preto e branco por não conhecer o perdão de verdade. Não perdoar é destruir a ponte pela qual você tem que passar. Guardar ressentimento é tomar o veneno esperando que o outro morra. É só um Ensaio.

Portanto, meus amados irmãos, todo o homem seja pronto para ouvir, tardio para falar, tardio para se irar. Porque a ira do homem não opera a justiça de Deus.
Tg 1, 19-20

Estréia

Estrear não é nada fácil, mas todo ensaio visa uma apresentação algum dia. Esse Blog é sobre vida, suas oportunidades e aflições, e um dia vamos ser apresentados. Anquanto isso, vamos ensaiando. É só um Ensaio.
O homem de coração dobre é inconstante em todos os seus caminhos.
Tg 1-8